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EDUCAÇÃO MUSICAL NO ENSINO FUNDAMENTAL

“Se eu pudesse viver minha vida de novo eu estabeleceria uma regra:  Ouvir alguma música pelo menos uma vez por dia, todos os dias.  Assim, talvez, partes do meu cérebro, agora atrofiadas, poderiam ter se mantido ativas através do uso.” Charles Darwin.

I - A Música como Linguagem

A música é uma criação do ser humano, se constitui em uma linguagem não verbal tendo todos os elementos necessários para que seja considerada uma ‘linguagem’, com gramática própria, estrutura formal, texto com representação específica de cada aspecto do som, altura, duração, cor sonora e expressão. Está presente em todos os períodos da história humana e em todas as civilizações. Quando estudamos música, estudamos também história humana, pois a música sempre está intimamente ligada ao que pensamos e expressamos artisticamente.

Desde as civilizações mais antigas, mesmo não podendo encontrar documentos objetivos sobre a prática musical, descobriu-se e ainda são descobertos diariamente, instrumentos musicais que nos trazem claras noções de como a música era praticada em determinado momento e diferentes períodos da história. Para a expressão de seus ‘pensamentos musicais’, construíram artefatos - instrumentos musicais - que pudessem produzir sons organizados de forma específica, com alturas e possibilidades rítmicas diferentes que quando devidamente organizadas, tocavam escalas e movimentos musicais das mais diversas maneiras, utilizando-se da ciência acústica para entender e melhorar o funcionamento destes instrumentos que expressarão cada vez melhor as idéias de seus criadores. Quando os instrumentos são encontrados e estudados, contam de que maneira a música era praticada em determinado civilização, e na maior parte dos casos, contam muito mais sobre a vida social, cerimonial e artística daquele povo.

Vemos também que a música fez parte de praticamente todos os momentos da vida de um determinado povo. Podemos elencar alguns destes estilos musicais:

  • música ritual
  • música religiosa
  • música cerimonial
  • música funcional
  • música comercial
  • música vocal
  • música popular
  • música regional
  • música folclórica
  • música sinfônica
  • música de cena:

                       -de teatro

                       -de cinema

                       -de comercias

                       -de jogos

                       -ópera e musicais

Sendo assim, a linguagem da música adota os meios gramaticais, como a gramática de uma língua, tanto do momento histórico quanto dos ideais filosóficos, sociais e artísticos que ela faz parte. Podemos citar como exemplo a música sacra medieval monódica, com uma só linha melódica, estruturada para ser a expressão mais clara possível do cristianismo  inicial e sendo utilizada pela igreja como meio evangelizador e de união. O canto gregoriano unia toda a Europa em um mesmo ritual, melodias que deveriam expressar a fé e sempre mostrar o texto em latim do momento.

Hoje, a gramática musical é a da diversidade, compositores dos vários estilos utilizam seus elementos para estruturar as obras com vários fins, como se fossem diferentes línguas fonéticas, cada uma com sua estrutura: música tonal, atonal, modal, textural etc.

II - A criança e a música

Quando um bebê nasce, seu cérebro é uma confusão de neurônios, aguardando para serem tecidos na intrincada tapeçaria da mente. Alguns destes neurônios, previamente, no óvulo fertilizado, já terão sido conectados pelos genes em circuitos que comandam a respiração, controlam os batimentos cardíacos, regulam a temperatura do corpo ou geram reflexos, mas outros trilhões e trilhões são como os chips em um computador, isto é, antes que sejam carregados os programas (softwares), são puros e de um potencial quase infinito. Estes circuitos não programados  poderão permitir à pessoa compor músicas e realizar cálculos, explodir em fúria ou se derreter em êxtase. Se os neurônios forem utilizados, se tornarão partes integrantes da circulação do cérebro, pela conexão a outros neurônios; se, ao contrário, não forem utilizados, poderão morrer. São as experiências da infância que determinam quais neurônios serão usados e quais ligarão os circuitos tão seguramente quanto um programador configura os circuitos de um computador. Quais teclas serão acionadas (que experiência uma criança vivenciar) determinarão se ela desenvolverá mais ou menos a inteligência, se será medrosa ou autoconfiante. Articulada ou terá a língua presa. “Experiências precoces são tão poderosas que podem mudar completamente a maneira de ser de uma pessoa.”, diz o pediatra neurobiológico Harry Chugani, da Wayne State University.

Na idade adulta, o cérebro é cruzado por mais de 100 bilhões de neurônios, que se integram com milhares de outros, de forma que, ao final da história, o cérebro tem mais de 100 trilhões de conexões. São estas conexões, em número superior ao de galáxias do universo, que darão ao cérebro poderes inigualável.

A visão tradicional era de que o diagrama das conexões era pré-determinado pelos genes no óvulo fertilizado. Lamentavelmente, ainda que  metade dos genes (50.000) esteja de alguma forma envolvida com o sistema nervoso central, não existe número suficiente de genes para especificar as conexões incomparavelmente complexas do cérebro. Isto abre uma nova possibilidade, a de que os genes possam determinar somente os circuitos principais do cérebro com alguma coisa mais, formando os trilhões de conexões mais delicadas, Este “algo mais” provém do ambiente, quando milhares de mensagens do mundo exterior são recebidas pelo cérebro. De acordo com este paradigma emergente, “há dois amplos estágios das conexões cerebrais, um primitivo, quando não se exige experiência alguma, e um posterior, quando a experiência é necessária para estabelecer a conexão”, diz a neurobiológica Carla Shatz, da Universidade da Califórnia.

Contudo, uma vez estabelecidas as conexões, existem limites para a capacidade do cérebro em criá-las por si próprio. Limites de tempo, chamados de “períodos críticos”; são janelas de oportunidades que a natureza abre repentinamente, já antes do nascimento, para, então, fechá-las uma a uma, à medida que velas são adicionadas aos bolos nos aniversários da criança. Nos experimentos que deram origem a este paradigma, na década de 70, Torsten Wiesel e David Hubel descobriram que, mantendo fechado um dos olhos de um gatinho recém-nascido, novas conexões se estabeleceram em seu cérebro, assim poucos neurônios conectaram o olho fechado ao córtex visual, de forma que o animal continuou cego mesmo depois que o seu olho foi aberto. Tal reconexão não ocorreu em gatos adultos, cujos olhos foram mantidos fechados. Conclui-se que há um breve período primitivo, quando os circuitos conectam a retina ao córtex visual e quando as regiões de cérebro amadurecem, que determinam por quanto tempo eles são maleáveis. As áreas sensoriais amadurecem já na infância. O sistema límbico emocional na puberdade; os lóbulos centrais – sedes de compreensão – desenvolvem-se, no máximo, até os 16 anos de idade.

As implicações deste novo entendimento são, ao mesmo tempo, promissoras e perturbadoras. Elas sugerem que, com a ação certa, no momento certo, quase tudo é possível. Contudo, implicam também que, se você errar a janela, estará jogando em desvantagem. Elas tornam claro o erro que é adiar o ensino de um segundo idioma por exemplo.

“As conexões não se formam voluntária ou involuntariamente, mas são promovidas pela atividade”, diz  Dale Purves, da Duke University.

Pesquisadores da Universidade de Konstanz, na Alemanha, informaram que a exposição à MÚSICA reconecta os circuitos neurais. Nos cérebros de nove violinistas examinados em imagens por ressonância magnética, o total de córtex somatosensorial dedicado ao polegar e ao quinto dedo da mão direita (que dedilham) era significativamente maior do que em pessoas que não tocavam violino. Quanto os instrumentistas praticam a cada dia não afetava o mapa cortical, mas sim a idade em que eles tinham sido introduzidos na MÚSICA, ou seja, quanto mais nova a criança aprender a tocar um instrumento mais córtex ela terá dedicado para tocá-lo.

Na Universidade da Califórnia, em Irvine, Gordon Shaw concluiu que todo pensamento de ordem superior é caracterizado por padrões similares de queima de neurônios. “Se você está trabalhando com crianças pequenas – diz Shaw – não vai ensinar a elas matemática de alto nível ou como jogar xadrez, mas elas estão mais interessadas e podem assimilar MÚSICA”. Assim, Shaw e Frances Rauscher deram aulas de piano para 19 crianças em idade pré-escolar. Depois de oito meses, os pesquisadores descobriram que as crianças “melhoram significativamente em raciocínio espacial”, comparadas com crianças que não tiveram aulas de MÚSICA. Esta capacidade foi demonstrada em suas habilidades para brincar com labirintos, desenhar figuras geométricas e copiar padrões com blocos de duas cores. O mecanismo por trás do “efeito Mozart” continua obscuro, mas, para Shaw, quando as crianças exercitam os neurônios corticais ouvindo MÚSICA, também estão fortalecendo os circuitos utilizados para matemática. “A MÚSICA excita os próprios padrões cerebrais e realça o uso dos mesmos em tarefas de raciocínios complexos”, diz a equipe da Universidade da Califórnia.

III - Música nas escolas:

Educação musical é o campo de estudos que se refere ao ensino e aprendizado da música. Nem sempre a educação musical busca a formação do músico profissional. No âmbito da escola regular, por exemplo, busca dar ao indivíduo condições para que compreenda a música no plano da expressão e no plano do significado. Musicalizar é dar ao indivíduo as ferramentas básicas para a utilização da música, tanto para o seu desenvolvimento intelectual como para melhor se relacionar no seu ambiente social.

Na Idade Média a educação musical era obrigatória e compunha a metodologia do ensino. Mas foi no século XX que experiências aconteceram em diversas partes do mundo  e marcaram uma forte tendência no ensino da música.

Educadores propuseram novos métodos e estratégias. Entre eles destacam-se:

  • Dalcroze (Emile Jacques – Áustria Suíça). Sistema de ensino rítmico musical através do movimento corporal (década de 1930).
  • Orff (Carl Orff – Alemanha). Utiliza instrumentos especialmente desenvolvidos para crianças como o xilofone, o metalofone e pequenos tambores. O aluno é levado a construir sua própria nocão de música, através de exercícios rítmicos, melódicos e harmônicos.
  • Kodaly (Zoltan Kodaly – Húgaro). Musicalização através de exercícios que utilizam o canto e atividades corporais (solfejo rítmico). Foi criador do chamado “Manossolfa”, ou seja, as notas musicais representadas por gestos.
  • Willems (Edgard Willems). Descobriu a interligação entre música e o ser humano. Relacionou o triplo aspecto do homem, fisiológico, afetivo e mental com os elementos da música, ritmo, melodia e harmonia.
  • Suzuki (Shimichi Suzuki – Japão). O método é direcionado a crianças e consiste basicamente em brincadeiras para que a criança se divirta enquanto aprende. O objetivo é tentar envolver o estudante da música da mesma forma como quando aprende a falar.

IV - Educação musical no Brasil:

Há registros de uso da música na educação desde a chegada das primeiras missões jesuítas no Brasil. No século XVIII, devido a mudanças na legislação educacional, músicos se organizaram nas chamadas irmandades. Elas contribuiram para a difusão da música já que os padres-músicos na época eram poucos.

No período do Vice Reinado e o Brasil Império encontramos registro de educação musical nas Escolas Normais onde a música sempre foi considerada parte importante na formação de novos docentes.

Mas o maior movimento de educação musical em massa ocorreu no Brasil durante a época do Estado Novo tendo à frente o maestro Heitor Villa-Lobos. O  canto orfeônico, por ele incentivado, esteve presente nas escolas brasileiras até o final da década de 1960. A promulgação da lei 5692 em 1971 tornou obrigatório o ensino de artes, instituindo a chamada polivalência na disciplina “educação artística”. Esta polivalência refere-se à idéia que um mesmo profissional poderia dar conta de ensinar artes visuais, teatro, música e dança. Como resultado desta política teremos a predominância do ensino das artes visuais e o desaparecimento gradual das artes coletivas, como o teatro, a dança e a música, do currículo.

Somente em 2008 a lei 11.769 altera a lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e torna obrigatório, mas não exclusivo, o ensino da música nas escolas brasileiras dentro do componente curricular arte.

Entretanto somente em maio de 2016 a Resolução número Dois definiu Diretrizes Nacionais para operacionalização do ensino da música na Educação Básica.

V - O Instituto Cultutal Hering Harmonicas na Educação Musical:

Embora o Instituto Cultural Hering Harmônicas (ICHH) seja relativamente novo, fundado em 2005, ele está atrelado à Hering, fabricante de instrumentos musicais tanto profissionais como para musicalização infantil, desde 1923.

Podemos definir a Hering como uma “Love Mark” ou seja uma marca que remete, através dos seus brinquedos e instrumentos musicais, a boas lembranças da infância de muitos brasileiros.

Diante deste quadro foi natural o envolvimento o ICHH no restabelecimento do ensino da música na educação básica no Brasil. Maestros, psicólogos, pedagogos e músicos de renome participaram na confecção dos Métodos Hering para ensino da música nas pré-escolas e nos cinco anos do ensino fundamental. Todos atrelados a instrumentos produzidos pela própria Hering como instrumentos de percussão, bandinhas, flautas, escaletas etc.

Recentes estatísticas oficiais através do Censo Escolar da Educação Básica (2015) mostram que o Brasil tem cerca de 45 milhões de alunos sendo:

Creches e pré-escolas – 7,97 milhões

Ensino fundamental – 27,93 milhões

Ensino médio – 8,76 milhões

Deste total somente 18,56% estão matriculados em escolas particulares.

Assim o universo que pretendemos atingir é de aproximadamente 36 milhões de alunos, número bastante expressivo.

Um grande desafio é enfrentado entretanto para a aplicação da lei com eficiência e objetividade. Depois de quase 50 anos, quando a música tinha um plano secundário no ensino, a falta de professores capacitados representa um grande entrave.

Para auxiliar na solução deste problema o ICHH criou um curso de Pós Graduação de Ensino a Distância para profissionais que atuam ou queiram atuar na educação musical. Este curso, de 420 horas aula, fornecerá no seu término diploma de conclusão pela Universidade Cândido Mendes (vide anexo).

Além do curso acima mencionado de Pós Graduação, o ICHH elaborou três cursos de extensão em parceria com a Educamais EAD para atender aos educadores do ensino infantil, fundamental I, fundamental II e ensino médio, de forma que tenham a compreensão do que deve ser desenvolvido segundo as orientações do PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais). Estes cursos são específicos em três áreas, Música, Dança e Teatro e contém exemplos práticos para que os educadores alcancem os objetivos curriculares.

Alberto Bertolazzi - Instituto Cultural Hering Instrumentos Musicais

Fontes:

  • Maestro Dario Sotello
  • Revista da NAMM National Association of Musical Manufacturers